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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A meninada e o hino!


Com nosso projeto temos aprendido a ouvir os mais velhos, sempre tão cheios de sabedoria! Durante nossa pesquisa sobre o Hino de Nossa Senhora dos Prazeres e a musicalidade local não foi diferente! Entrevistamos moradores do distrito cheios de histórias para contar e de ensinamentos para transmitir!

Mas e a meninada?! Eles também têm suas histórias, suas memórias, têm muito a ensinar! Por isso, propus um desafio à turma do 9º ano: além de entrevistarem a comunidade de Lavras Novas, iriam contar o que sabiam e experimentaram do Hino de Nossa Senhora dos Prazeres!


Com o projeto, a meninada aprende com os mais velhos...


Júnio, neto de dona Aparecida (entrevistada pelo grupo), contou uma história muito parecida com a da avó. Teria ouvido o hino pela primeira vez na infância, quando tinha 7 anos, e acredita que tenha sido composto pelos escravos. Ele aprendeu o hino em casa, mas, de acordo com ele, a maioria das crianças do distrito aprende a cantá-lo de forma diferente: durante o catecismo.

Jardel chamou a atenção para outro detalhe: muitas crianças costumam aprender o hino de Nossa Senhora dos Prazeres só de ouvirem os mais velhos cantarem!

Vitória se lembra exatamente da primeira vez que ouviu o hino de Nossa Senhora dos Prazeres: foi na época em que coroava, na igreja matriz! Era criança ainda!

O Gabriel ouviu o hino pela primeira vez na igreja do distrito, mas sabe que ele é cantado em outros locais, como festas e enterros. E Augusto complementa: o hino também é cantado nas procissões! Joanna, Letícia e Lissandra se lembraram de outros momentos: no final da maioria das missas e durante a festa da padroeira!

Para o Serafim, o hino foi composto por antigos moradores! A primeira vez que ele ouviu o hino foi num enterro... Ele acredita que nem toda a comunidade conhece o hino, isso porque nem ele sabe cantá-lo!

As irmãs Aline e Giovana têm uma opinião diferente: para elas, toda a comunidade sabe cantar o hino, sim! Ele é conhecido por todos!

O curioso foi observar que a maioria dos alunos ainda não sabia que o hino sofreu alterações na letra. Dos onze alunos do 9º ano, somente Augusto, Júnio e Letícia já conheciam essa história! O restante deles aprendeu sobre a correção feita por Dom Barroso ao parar e ouvir os mais velhos... Bom, muito bom!...

... mas também ensina um tanto...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O hino!


Durante todo o ano de 2012, pesquisamos a musicalidade de Lavras Novas, através do subprojeto “Registrando nosso patrimônio”, no qual estudamos três tipos de cantos: os religiosos, aqueles cantados pelas lenheiras e os tocados pela Folia de Reis.

Além disso, fizemos uma pesquisa específica sobre o Hino de Nossa Senhora dos Prazeres através de entrevistas com a comunidade!

Esse hino é conhecido por toda a comunidade e cantado com frequência nas celebrações religiosas, mas pouco se sabe sobre sua origem. Alguns dizem que teria sido composto na época da escravidão, outros defendem que sua criação é mais recente. Também existem dúvidas a respeito de alguns trechos cantados de forma diferente pelos membros da comunidade! Nossa pesquisa não pretendeu ser conclusiva a esse respeito, mas procurou registrar os diversos relatos e pontos de vista da comunidade!

Caminhando para "registrar nosso patrimônio" em 23 de agosto!

As turmas do 7º e do 9º anos apresentam, agora, seus trabalhos!

Dalvan e Vinícios, do 7º ano, entrevistaram Maria da Conceição Aparecida Alves Viana, a Lia, funcionária da escola e grande conhecedora das histórias do distrito! De acordo com ela, não se sabe quem compôs o hino, mas ele teria sido revisado por Dom Barroso. Lia aprendeu a cantá-lo na Igreja Matriz, durante as missas, mas diz que ele também costuma ser cantado em outros lugares.

Dona Rosalina Ribeiro de Carvalho foi entrevistada pela Cecília, pelo Márcio e pelo Paulo, também do 7º ano. Ela informou que o hino de Nossa Senhora dos Prazeres é bem antigo e que, desde criança, o escutava na igreja e também em casa, já que seus pais costumavam cantá-lo! O hino é cantado principalmente nas celebrações religiosas comemorativas e toda a comunidade local o conhece! Dona Rosalina chama a atenção para um fato curioso: antigamente ele era cantado de uma forma diferente de hoje. A diferença?! Hoje ele é pronunciado corretamente! Antes, alguns moradores confundiam algumas palavras!

Gustavo entrevistou sua mãe, Stael Alves de Azevedo Carvalho, com a ajuda dos amigos Pedro e Thomás! Ela se lembra de ter ouvido o hino pela primeira vez em casa, com sua mãe cantando para ela. E comentou de outro momento no qual o hino costuma ser cantado por todos: nos enterros. Disse que Dom Barroso começou a “observar as mulheres cantando de forma errada e colocou as palavras do jeito certo”! Stael sabe que toda a comunidade conhece o hino, mas faz uma observação: nem todos sabem cantá-lo!

Finalizando as entrevistas do 7º ano, com a ajuda do colega José Vítor, Milene entrevistou sua mãe, Rosângela Neto Marins. De acordo com ela, o hino foi composto com a ajuda de Dom Barroso, de Pedro Rabicó, de Diogo Lessa, Jarina Lessa e de mais uma porção de gente! O hino é mais cantado em agosto, em honra à padroeira, mas Rosângela diz que ele também é cantado em outras situações, até na hora de lavar roupa! Todos conhecem o hino: desde os mais novinhos aos mais velhos! E destacou que o hino sofreu uma alteração. A comunidade cantava “fonte de alegria no seu coração, mas o padre falou que é ao seu coração”.

Rosângela, à esqueda, com nosso grupo no dia 15 de maio!

Chiclete, apelido de Antônio Fernandes Marins, foi entrevistado por Joanna e Vitória, do 9º ano. Ele diz conhecer 80% do hino, que teria sido composto no final do século XVI. Lembra de ser pequeno quando o ouviu pela primeira vez, aos cinco anos de idade, e defende a ideia de que o hino deve ser sempre cantado na igreja para que essa tradição não se perca!

Aline, Jardel e Augusto entrevistaram Dona Ruth Fernandes de Azevedo. Ela reafirma que o hino foi corrigido por Dom Barroso, que achava o “português da comunidade fraco”.

Dona Aparecida foi entrevistada por seu neto Júnio e por Gabriel e Serafim. De acordo com ela, o hino foi composto em 1727 pelos escravos que chegaram ao local. Ela lembra de ter ouvido o hino pela primeira vez aos três anos de idade e que o aprendeu na igreja e com seus pais. Dona Aparecida esclarece que o hino sofreu mesmo alterações: “algumas letras foram consertadas, pois os escravos cantavam errado e então o Padre Dom Barroso ensinou do modo correto”.

Dona Aparecida, ao centro, em encontro do dia 23 de agosto!

Também do 9º ano, Giovana, Lissandra e Letícia entrevistaram Edilene Maria Martins Correa Maia, ministra da igreja. Segundo ela, não se sabe quando o hino foi composto, “essa data é desconhecida até mesmo pelos moradores de nossa comunidade”. Ela ouviu o hino pela primeira vez em 1985, durante a celebração da novena do Divino Espírito Santo e de Nossa Senhora dos Prazeres, quando ainda namorava José Antônio, que viria a ser seu esposo! De acordo com Edilene, o hino é cantado no momento da consagração à Nossa Senhora, após a missa, na celebração da Palavra, na encomendação da alma de algum membro da comunidade que tenha falecido. Ele também é cantado quando algum visitante pede! E diz que, às vezes, escuta alguém da comunidade cantando o hino enquanto trabalha! E esclarece: “Dom Barroso, que já foi pároco de nossa comunidade em meados dos anos 1970 e 1980, sempre fala, em suas vindas aqui para celebrar, que antes ouvia o hino e teve a ideia de pegar algumas senhoras para corrigir sua letra, pois ele não entendia o que estavam cantando. Ele deu uma corrigida, mas existe uma parte que, até hoje, pronunciam errado e ele tenta nos corrigir, mas, mesmo assim, persistimos no erro! Cantamos ‘fonte de alegria no seu coração’, mas o certo é ‘fonte de alegria é o seu coração’.

Registrando nosso patrimônio, na casa de Dona Prosperina, em 23 de agosto!

De acordo com um folheto da Novena em honra a Nossa Senhora dos Prazeres, o hino é assim:

Louvores, Prazeres, Augusta Senhora!
Fonte de alegria, no seu coração. (2x)

Jesus é um grande nome,
É o nome de poder,
De altas majestades, que sois a Augusta dos Prazeres. (2x)

À Virgem dos Prazeres, celestial Maria,
Aceitai os rogos de quem em Vós confia. (2x)

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A festa!


A comunidade de Lavras Novas comemorou, de 10 a 19 de agosto, a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres e do Divino Espírito Santo!

Durantes todos esses dias, aconteceram missas, novenas, procissões e outras celebrações religiosas!

Bonito de ver como toda a comunidade se mobilizou para a festa! A igreja matriz foi pintada, assim como algumas casas e o meio fio da Rua Principal. Todo mundo comprou roupa nova – durante a semana da festa vários alunos faltaram aula por conta disso!

No final de semana, o largo em frente à igreja recebeu barraquinhas com comidas e bebidas. Toda a comunidade e muitos turistas se juntaram ali!  Havia música de todo tipo: pagode num canto, axé no outro, o pessoal da capoeira jogando próximo ao cruzeiro... Apesar da barulhada, tudo em paz...

A Sociedade Musical São Bom Jesus de Matozinhos contribuiu para a festa ficar ainda mais bonita, se apresentando no sábado e no domingo! A banda passava e a comunidade ia logo atrás, cantando!

No sábado à noite, as bandeiras de Nossa Senhora dos Prazeres e do Divino Espírito Santo saíram da casa da família Pedrosa, no alto da Rua Principal, e seguiu, com a banda e a comunidade, para a igreja. Também aconteceu a queima de fogos, que todos do distrito dizem gostar muito!

Bandeira do Divino Espírito Santo na casa da família Pedrosa.
Crédito da foto: Ludmila Pedrosa
No domingo, um momento muito especial: o cortejo com o Império do Divino. Neste ano, o imperador foi representado por Kleber Gomes e a imperatriz, por Rachel Corrêa Maia. Os príncipes foram Alex Sabino e Rosana Fernandes Marins.

Sociedade Musical São Bom Jesus de Matozinhos
Crédito da foto: Tamiris Oliveira

Saída do Império do Divino
Crédito da foto: Tamiris Oliveira

Procissão com a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres e a igreja ao fundo
Crédito da foto: Tamiris Oliveira

Procissão
Crédito da foto: Tamiris Oliveira

Em função de nosso projeto de educação patrimonial e, especialmente, da pesquisa sobre os cantos de Lavras Novas, pedimos que alguns alunos filmassem e fotografassem os momentos que considerassem mais representativos das festividades! Para isso, a Casa do Professor nos emprestou dois celulares e o resultado são parte das fotos e o vídeo desta postagem!



Hino de Nossa Senhora dos Prazeres
Filmagem: Tamiris Oliveira

A Festa de Nossa Senhora dos Prazeres e do Divino Espírito Santo é um momento especial para a comunidade. Hora de celebrar a fé, de estar junto, de perceber como esse local é abençoado...