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segunda-feira, 6 de maio de 2013

O lançamento!


Lançamos o vídeo “Registrando nosso patrimônio: cantos de Lavras Novas”! E como foi bacana!

Apesar do frio tão característico de Lavras Novas nessa época do ano, a pracinha em frente à Igreja Matriz ficou lotada! A meninada e eu ficamos muito felizes por ver tanta gente ali!

Começamos agradecendo a presença de todos, especialmente dos parceiros, tão essenciais para que tudo corresse tão bem: Casa do Professor de Ouro Preto e Escola Municipal de Lavras Novas!

Com o filme sendo exibido, o silêncio tomou conta da pracinha, toda a comunidade assistiu com uma atenção bonita de ver! Gostei especialmente de observar os rostos destes homens e mulheres do distrito - alguns conhecidos, outros não -, e saber que estávamos proporcionando a todos um momento único e belo!

Filme exibido, palmas pra meninada, cópias distribuídas para todos os que participaram e chegou a vez das apresentações da Folia de Reis do Divino Espírito Santo e do Grupo de Capoeira Lavras de Ouro!

E foi assim... Ficamos todos ali, juntos, noite adentro, sob o céu estrelado... Felizes da vida!

Começando!
Quanta gente!
Ganhando o DVD!


A apresentação da Folia de Reis!
Pretinha e meus pais (à direita) assistindo à Folia de Reis!


A apresentação do grupo de capoeira, tema de nosso próximo vídeo!
Crédito das fotos: Laís Rocha Vale

Enfim, o vídeo!

Para assisti-lo, clique aqui – ele está no YouTube!


Agradecimentos:

À Casa do Professor de Ouro Preto, pela parceria desde o início do “Registrando nosso patrimônio” e pelo empréstimo de parte dos equipamentos usados durante a exibição.
À Casa Paroquial e à Dona Aparecida, pelo empréstimo das cadeiras.
À Escola Municipal de Lavras Novas, pelo apoio e pelo empréstimo de parte dos equipamentos usados durante a exibição.
À Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, pelo empréstimo de parte dos equipamentos usados durante a exibição.
À Secretaria Municipal de Educação, especialmente pela presença do secretário José César de Souza.
À Família Kume, Carlos Goulart e Daniela Pereira Silva, pelo empréstimo de parte dos equipamentos usados durante a exibição.
À Folia de Reis do Divino Espírito Santo de Lavras Novas e ao Grupo de Capoeira Lavras de Ouro, pelas belíssimas apresentações.
À Laís Rocha Vale, pelas lindas fotografias.
Aos meus pais, pela presença que fez com que a noite ficasse ainda mais especial para mim e para os meus meninos e meninas.
À comunidade de Lavras Novas, pela presença, pelas palmas e sorrisos.
À meninada, por estarem sempre por perto, nesses caminhos tão nossos, tão bonitos. 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Filmando!


No dia 7 de dezembro, filmamos os cantos de Lavras Novas e a experiência foi muito bacana!

A equipe da Casa do Professor e eu chegamos ao distrito ainda pela manhã e logo nos reunimos com a meninada! Primeiro gravamos uns textos sobre o projeto para usar como locução em of no vídeo a ser editado.

Pedro treinando para fazer a locucão!
Ricardinho treinando!

Em seguida, fomos gravar! Na Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Prazeres fizemos três filmagens. A primeira foi com Dona Lídia que cantou uma Ave Maria, acompanhada por Chiclete, que tocou violão. Em seguida, ela, Maria Ventura, Maria das Graças, Dona Aparecida e parte da meninada cantaram o Hino a Nossa Senhora dos Prazeres! Na sacristia, com a ajuda de Chiclete tocando sanfona, foi a vez de gravamos o Hino a Lavras Novas.

Filmagem na igreja, com Dona Lídia ao centro!
Ricardinho gravando Dona Lídia e Chiclete!
Nosso grupo cantando o Hino a Nossa Senhora dos Prazeres!
Caio e Ricardinho mostrando a filmagem para Dona Maria Ventura!

Na casa de Dona Prosperina gravamos uma Ladainha de Nossa Senhora. Nos surpreendemos com sua memória, afinal, a ladainha, cantada em latim, é bem longa!

Nosso grupo filmando Dona Prosperina!

Depois, na casa de Dona Aparecida, pausa para o lanche! A beira do fogão à lenha, ela nos contou a lenda do “S” de segredo (uma pedra esculpida no chão, em frente à igreja matriz) e cantou uma música sobre a história do casal, que gravamos em seguida!

Dona Aparecida!
Dona Aparecida sendo filmada por Tamiris. Na janela, Solange Palazzi!

Já à noitinha, nos encontramos com a Folia de Reis e gravamos o grupo cantando várias músicas!

Luiza filmando nossa Folia de Reis!
Nossa Folia de Reis!
Esta foi nossa última ação de 2012, um ano intenso, cheio de bons momentos e muito afeto... Ao final, nos despedimos com a certeza disso!...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Tempo de colheita


A redação do Gean, aluno do 8º ano, foi selecionada para representar Ouro Preto nas Olimpíadas da Língua Portuguesa! Ele escreveu um texto baseado nas memórias de sua avó, Prosperina Lessa Viana, de 84 anos. O texto é cheio de lembranças contadas de forma terna e doce... Confiram!


Tempo de colheita


As lembranças da minha infância, aparentemente distantes, me vêm à memória de forma saudosista. Resolvi contá-las ao meu neto para que ele conheça um pouco mais da minha história. Sempre morei em um distrito de Minas, com o nome de Lavras Novas. Naquela época, as casas eram feitas de barro e pau-a-pique, o chão era de terra macia, que grudava nos pés, não havia energia elétrica, iluminávamos tudo com lamparina e os banhos eram de bacia, sem nenhum luxo. Eram poucas moradias, por isso, entre os vizinhos havia uma grande amizade e muita troca de favores, que hoje não se vê mais.

O entorno era mato e montanhas. Um lugarzinho feliz, onde todas as manhãs se ouvia o canto dos pássaros, o balanço das folhas, o som das águas das cachoeiras, o ranger das janelas, a fumaça do fogão a lenha, o batido do pilão socando o café e seu aroma forte embriagando todo o ar.

Minha família era bem simples. Eu e minhas irmãs calçávamos chinelos feitos de corda de bambu e algumas de nossas roupas e cobertores vinham de doações de um quartel de soldados dos amigos do meu pai. Apesar dos trabalhos que éramos obrigadas a fazer (limpar a casa, lavar roupa, torrar café, varrer terreiro e trabalhar na colheita), nos divertíamos também. Brincávamos de casinha, bonecas costuradas com palha e sabugo de milho, de esconde-esconde, bilisca... Mas de todas essas recordações a que não me sai da cabeça é a época que trabalhei na colheita.

Eu tinha dez anos e trabalhava em uma fazenda de chá, situada nas redondezas do distrito. Quando se é criança tudo passa a ser diversão, assim, achava gostoso embrenharmos pelo mato para trabalhar. Saíamos de casa às cinco horas da manhã para iniciar “a lida” às sete. Embora fosse distante, o caminho era compensador. Era muita beleza, risos e assuntos diversos. Trabalhei na colheita por alguns anos, colhia o chá das árvores em uma sacola de pano, colocava em uma balança para ser pesado, em seguida ele era espalhado por uma esteira para ficar dias secando. Somente depois de seco ele passava por máquina grande para ser vendido para lugares distantes, que não me recordo. O nome do chá era “chá da Índia”.

O proprietário nos pagava pelo peso do chá, costumávamos receber vinte mirréis (moeda da época) pelo total colhido. Esse dinheiro eu dava para meu pai comprar comida. Quando comecei a ficar mais velha, meu trabalho na fazenda era de capina, sofri muito com fortes geadas, chuva, pés no chão, frio e pouca roupa. O vestuário da época era saia e blusa de linhagem e, para proteger o rosto, amarrávamos um pano deixando apenas os olhos à vista.

Nos finais de semana, ajudava minha mãe nos serviços da casa e ia para a igreja rezar. As famílias eram muito unidas e católicas.

Hoje, apesar da saudade de alguns momentos, percebo que a vida é mais fácil para as pessoas. As casas têm energia elétrica, comida farta, escola para todo mundo. Já a fazenda de chá virou ruínas, mas graças ao Patrimônio, foi tombada e preservada para que as pessoas possam conhecer um pouco mais da história e a luta dos colhedores de chá da Fazenda do Manso.



Dona Prosperina

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Continuamos registrando!


Nossa parceria com a Casa do Professor de Ouro Preto e o Canal Futura segue com tudo e, na última quinta-feira, realizamos mais uma ação do subprojeto “Registrando nosso patrimônio”.

De início, nosso grupo encontrou-se com Dona Aparecida na pracinha em frente à igreja matriz para que ela nos ajudasse a escolher moradores do distrito para entrevistar. Definimos também, com sua ajuda, os tipos de músicas que registraremos: religiosas (cantos de adoração, de coroação e das benzedeiras), músicas da Folia de Reis, das lenheiras e o Hino de Lavras Novas.



Nosso grupo em frente à Matriz!

Em seguida, parte do grupo foi à casa de Dona Lígia apresentar nosso projeto e pedir que ela cantasse pra gente! A senhorinha de 87 anos cantou “Pátria livre” e “Ave Maria”. Foi um momento emocionante ouvir sua voz tão forte e afinadinha... (Não fotografamos porque ela ainda não deixou!)

Depois disso seguimos todos, distrito acima, para a casa de Dona Prosperina, que já é parceira de nosso projeto há algum tempo! Ela e Dona Aparecida cantaram “Virgem pura” para nosso grupo que, com auxílio dos celulares emprestados pela Casa do Professor, gravou a música.

Seguindo para a casa de Dona Prosperina!
Nosso grupo, Dona Aparecida, Dona Prosperina e Solange Palazzi, gravando a música!

Nossos meninos e meninas de Lavras Novas têm vivido uma experiência muito importante com o “Registrando nosso patrimônio”. Estão descobrindo a sabedoria dos antigos e a cultura local. Ao mesmo tempo, nossos entrevistados sentem-se valorizados com a oportunidade... Pelo que relatam, ficam felizes por perceber que a meninada está comprometida em conservar os costumes e as tradições locais!

Nosso grupo ao final da tarde!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

As lendas de dona Prosperina!

Dona Prosperina é a avó do Gean, um dos meus alunos, e conhece histórias de Lavras Novas como ninguém!

Durante a elaboração das revistas, no final de 2011, Pedro, Milene, Arthur Camarano, então no 7º ano, a entrevistaram e descobriram algumas lendas e histórias de arrepiar!!!

Lavras Novas: um lugar encantado

1- Lapa das Almas

Há muito tempo atrás, quando ainda não havia luz elétrica no distrito, as ruas eram muito escuras à noite. Havia poucas casas, uma muito distante da outra. As pessoas tinham medo de sair sozinhas à noite. Nas altas horas da noite, todo mundo que se arriscava a andar pela rua podia ver, em uma pedra, uma banda muito bonita tocar. E mesmo quem não tinha tanta coragem para ir ver de perto, ficava ouvindo de longe, pois de qualquer ponto do distrito a música podia ser ouvida. Depois, quando começou a aumentar o número de casas, a banda nunca mais tocou. Esse lugar onde a banda tocava ficou conhecido como Lapa das Almas.

2- O Cavaleiro da Meia-Noite

O cavaleiro vinha de longe e passava na rua com um cavalo bem arreado. O cavalo até tinia a ferradura. Passava sempre à noite, à meia-noite. A rua não tinha luz, era tudo escuro. Muita gente via o cavaleiro que descia a rua e sumia no “S” da igreja.

Entrevistamos um morador de Lavras Novas que já avistou o Cavaleiro da Meia-Noite. Ele nos contou que era garçom em um bar. Certa noite, escutou o tinir das ferraduras do cavalo, parou seu serviço e foi olhar o que estava acontecendo e avistou a cena mais intrigante de sua vida: em meio à escuridão da nossa vila, um homem em cima de um cavalo e, dos seus pés, respingavam chamas de ouro. Nesse momento, perdeu a sua voz e desmaiou.

3- Procissão das Almas

A encomenda das almas só era feita no silêncio da meia-noite, quando a maioria das pessoas dormia e só as almas permaneciam acordadas e perambulando pela rua escura.

Conta a senhora que a encomenda das almas tinha muita ciência e a procissão percorria a caminhada até a igreja com muita fé e seriedade.

Teve, então, uma pessoa que olhou pra trás e viu uma mulher na janela que a chamou e entregou-lhe uma vela. No dia seguinte, constatou, aterrorizada, que a vela que ganhara era uma caveira.

Até hoje no distrito todo mundo que acompanha a procissão tem medo de olhar pra trás!

4- O Fantasma da Perna Grande

Os velhos contavam que aqui em lavras Novas não tinha luz, tudo era muito escuro, eram muito poucas casas. Quem, à noite, saía na rua via um fantasma que era pequeno e quando ele aparecia, ia crescendo cada vez mais até colocar uma perna de um lado da rua e a outra do outro lado. As pessoas passavam debaixo da perna dele, em frente à padaria.

5- Lenda dos Namorados

Linda e Daniel eram namorados. Ela fazia jus ao nome que lhe deram: era realmente linda. Eram apaixonados, mas a mãe de Linda não fazia gosto do namoro. Conta a lenda que, um dia, eles caíram no buraco do “S” na igreja. E nunca mais se teve notícias dos dois.